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As melhores adaptações estão aqui!
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Mass Effect 3

Postado por Cadena Reef

Tou jogando e curtindo. Mas na verdade esse post foi pra testar, afinal tou enviando pelo celular... Vamos ver como fica no site. :)


Miss Little Havana – nova música de Gloria Estefan!

Postado por Cadena Reef



FINALMENTE!!!



Ué... Parece que refizeram a capa de Gloria!, mwhahahaha!!

Notícias do novo CD


A cantora cubano-americana Gloria Estefan anunciou que vai lançar um novo disco ainda em 2011 junto ao produtor e compositor Pharrell Williams. Ela ainda explicou que ambos estiveram trabalhando nos últimos meses na produção do novo disco. A artista explicou que já gravou todas as canções de seu novo álbum e que agora ele está na fase de mixagem. Gloria, que retornará ao cenário musical após quatro anos, declarou que continua com a mesma motivação do primeiro dia como cantora. Pharrel já compartilhou o estúdio com artistas como Shakira, Madonna, Mariah Carey e Justin Timberlake. "Esse rapaz tem muito talento. Escrevemos muitas coisas e acho que fizemos um bom trabalho", explicou Estefan em referência à parceria com Pharrell. Ela ainda comentou que foram meses muito intensos de trabalho e espera que o resultado satisfaça a expectativa do público. Sobre o disco, disse que "será dançante, muito variado e com uma surpresa no final", avisando que não ia dar mais detalhes.


Sente só..





Ao escutar Miss Little Havana pela primeira vez, eu voltei ao passado. Parecia que estava curtindo um CD da época em que Gloria Estefan era cantora da Miami Sound Machine, lá nos idos 80... Com uma bateria eletrônica, voz e segunda voz... poucas interferências instrumentais... enfim, era como uma canção do Primitive Love, mwhahah! O problema é ter que aguardar ao lançamento em outubro/novembro desse ano, e ainda ter que esperar [e torcer...] pela divulgação do novo CD nos programas daqui. Mas show que é bom, pelas bandas de cá, nada. Estava até sentindo falta dessa agonia leve, da ansiedade por algo novo dela, como foi enquanto roia as unhas até comprar o Alma Caribeña... Wepa!!!


PS - Falando em Wepa, este é o título de outra canção que estará presente nesse novo trabalho. Wepa, por sinal, foi tema das finais da NBA 2011, entre Miami Heat e Dallas Mavericks... Confiraí!




Acabando...

Postado por Cadena Reef

Bom, pra não passar em branco, gostaria de desejar àqueles que de vez em vez passam por aqui pra ver se tem algo novo, um Feliz Natal e que 2011 seja infinitamente melhor do que 2010.

Tem que ser, né?

Paz, saúde, sucesso e muito amor!

Ano que vem tem coisa boaaaaaaaaa!!

batman: quase o peguei

Postado por Cadena Reef

Em plena inauguração de um novo parque de diversões, Batman se depara com um casal de rosto pintado que está disposto a matar muita gente... Será que a loucura dos palhaços vencerá a sanidade do vigilante?


Batman: Quase o peguei #2 - Delírio

- Bruce Wayne! Quando falaram que estaria presente na inauguração do novo parque de diversões de Gotham City, quase não acreditei!
- Não poderia deixar de participar desse evento que vai ampliar a área de lazer da cidade, Prefeito.
- Veja quanta gente! Todos se distraindo nessa noite maravilhosa. Brinquedos cheios, a alegria estampada nas pessoas! A imprensa está toda aqui! E o Comissário Gordon fez questão de fazer, pessoalmente, a segurança!

Como sempre, Alfred sabe como deixar qualquer pessoa mais social. Será certo mesmo deixar a cidade desprotegida justamente na inauguração de um parque de diversões? O telefone celular toca…

- Com licença, senhores. Preciso atender.

Afaste-se. Caminhe. Bom que Alfred ligou. Coisas rotineiras, perguntas do tipo: se distrai? Mulheres bonitas? Essa é uma maneira de poder andar pela área que antes era um grotesco depósito de lixo. Não que negue a badalação, mas um protetor da cidade não pode se dar ao luxo de perder uma noite com distrações.

- Exato, Alfred. Nada de anormal, como previsto. Mas não pretendo demorar aqui. Tenho que fazer a ronda.
- Ao menos se delicie com uma maçã-do-amor, senhor.
- Espere, Alfred. Estou ouvindo tiros e gritos. Permaneça na linha.

É bom que não esteja acontecendo algo. O melhor é a ocultação pelas quinas, sombras. Olhar pelas beiradas. Há homens saindo da ‘Fun House’. Todos estão armados, com as caras pintadas de branco. Tiros são disparados. Muitos gritos.

***

- Biiiiiiiiiiiiiiiiiiingo! Vê só, pundizinho? Vamos bater o recorde de corpos caídos e ensangüentados!
- Não poupem munição! Mas não matem os políticos! Isso vai servir como uma… publicidade positiva! Hehehe!
- Alfred, mande o veículo aéreo. Vai inibir os seqüestradores. Avise também à polícia. Vou entrar em ação.
- Tome cuidado, senhor. Pelo que me consta, há muita gente inocente no parque…

Um lugar deserto e escuro. Ideal para a ‘preparação’. Também, para aguardar a nave que vai sobrevoar o parque. O piloto automático dará vôos rasantes. Vai anunciar a chegada. Tolos eles que não sabem que Batman já está aqui. Quem está fazendo isso?

***

- Por favoooooooooooooooooor! É só apertar um botão!
- O que vai ser para estrear?
- Hum… Roda-gigaaaaaaaante?
- Sim! Mas tente fazer com que ela ande! Vai ser emocionante ver as pessoas serem perseguidas por uma roda enorme! Hehehe!
- Ela corre e… aperta o botão!
- Que magnífica explosão! Ela vai rolar!
- Rola, rola, rolaaaaaaaaaaaaando!

Que potente estrondo. Algo muito grande foi detonado. Muitos gritos desesperados. A nave chegou. Manobras perigosas quase tocam a torre acima da Fun House. Já sabem que Batman está no parque. Hora da ação. Seja lá quem está por trás disso, não sabe o que o espera.

***

- Vejam só! Temos visitas! Não é que o morcego-que-se-acha-o-defensor-da-cidade resolveu aparecer?
- Arlequina, cuide do Comissário, do Prefeito e das outras autoridades. Não deixe que nada aconteça com nossos… hóspedes. Principalmente, Batman NÃO pode se aproximar.
- Deixa comigo, pundizinho. Com a Arlequina aqui não há problemas!
- Vou armar uma surpresa para meu amigão!
- Enquanto isso… posso detonar uns carrinhos do autopista?

***

Coringa. O insano. Sua mente perturbada e doentia piora a cada fuga de Arkham. Como pode ter um pensamento de conteúdo impenetrável e incompreensível psicologicamente? Não há argumentos contra ele. Apenas o conflito. Ele correu para o outro lado do parque. Capangas se aproximam. Rostos pintados de branco, bocas, de vermelho. O contato físico não atrai como a caçada, a descoberta. Arremesse batarangues, bombas, gases. Proteção com a capa. Uma barreira que impede os mais ousados. Um cuspidor de fogo. Pensamento rápido. A expiração não dura mais do que um minuto. Ele precisa de fôlego. Nessa hora… Descanse em paz. Um bom rastro de capangas para a polícia, prontos para a prisão. Coringa. Lá está ele.

- Isso é o mais rápido que consegue correr para alcançar o príncipe palhaço do crime, Batman???
- Você ainda não aprendeu, Coringa?!
- O quê? Que o crime não compensa? Hehehe! Que o bem sempre vence o mal?
- Não. De que você é doente e essas idéias delirantes só fazem com que minha vontade de deter você aumente.
- Fique sabendo, Batman, que essas idéias delirantes só servem para fazer com que meu ódio por você aumente cada vez mais! E falando em delírio, sabia que, etimologicamente, delírio significa ‘de: fora’, e ‘lhos: trilhos’? Ou seja, “sair dos trilhos”? Ainda não entendeu meu latim? Olhe para a montanha-russa. Como é bonito o descarrilamento!

Um carrinho da montanha-russa está preste a cair da ponta mais alta do percurso. Isso não pode acontecer.

- Seu senso de herói vai ter que trabalhar como sempre, Batman! Ou você me prende, ou aquele carrinho com crianças e seus papais e mamães vai desabar no chão! Hehehe!

Salvar inocentes sempre esteve em primeiro lugar. Coringa não vai conseguir ir longe. Ele se preocupa mais em atingir do que em fugir. Mas dessa vez sua loucura nunca esteve tão…

- Voe, morcego! Hehehe! Salve aqueles que o consideram um bandido! Hehehe!

O salto desse lugar alto, unido ao gancho e a abertura da capa, para planar, são suficientes para alcançar o brinquedo. Tem que dar tempo. Chegue antes que o carrinho caia. Não deixe que a risada do Coringa o desconcentre. Vai dar tempo. Ele experimenta sua convicção doentia sem se preocupar, de forma alguma, com outros pontos de vista, interesses, juízos e vidas. Não deu tempo. O carrinho está caindo. As crianças… NÃO! Isso foi o bastante. Ele não vai explodir mais nada. Pense. Provavelmente, os detonadores estão ligados à caixa de energia.

- Alfred!
- Sim, senhor Bruce?
- Preciso que me guie até o gerador do parque.
- Senhor, o atentado está sendo transmitido pela televisão. Se o Coringa queria aparecer, ele conseguiu.
- Interfira na transmissão. As pessoas não precisam saber o que está acontecendo aqui. E a localização?
- Está vendo a Casa dos Espelhos? Atrás dela.
- Alfred, e a polícia?
- Interceptei o rádio e já está a caminho. Dessa vez é a força especial que vai invadir o parque.
- Primeiro, tenho que acabar com a energia, para que nenhum outro brinquedo seja alvo dos explosivos. Depois, cuidarei do Coringa. Os agentes precisam ter cuidado ao adentrar no parque. O Comissário Gordon e o Prefeito estão como reféns. Vou encerrar o diálogo. Encontrei o que queria.

Provavelmente, assim que o gerador parar de funcionar não só a luz do parque vai acabar, assim como não haverá condução elétrica para ativar os detonadores. Antes de tudo, um excesso de energia para tentar causar um curto-circuito. As luzes piscam, sinal de que a força está baixando. Mas não seria bom facilitar as coisas para o Coringa. Ele pode ter mais cartas na manga. Bomba instalada. Três minutos.

***

- Aonde pensa que vai, orelhudo?

Arlequina, a psicóloga que enlouqueceu enquanto tratava o Coringa. Cega, outra doente que não mede as conseqüências e é repleta de idéias falsas. Enfrentá-la seria perda de tempo. Mas ela pode saber onde está quem é procurado.

- Com orelhas tão grandes não escutou a minha pergunta? Aonde pensa que vai?
- Para a casa da alegria.
- Isso é alguma piada? Só quem pode fazê-las sou eu! Sr. C vai gostar do morcego empalhado que levarei de presente!

Ela pegou um taco de basebol. Parece pesado para seu corpo frágil, mas ela sabe manejá-lo muito bem. Seus olhos irradiam uma loucura diferente da de todos os lunáticos enfrentados. Ela faz isso por amor. Um amor inconseqüente. Nem imagina que o Coringa apenas a usa para tentar concluir seus planos. Cada investida do taco é estudada. Afoita, descontrolada. Segure os braços dela. Atinja-a com a cabeça. Ela parece tonta e senta ao chão. As mãos sobre a cabeça. Guizos, sinos. Ela sorri. É melhor colocar algemas. Ainda pode causar problemas.

- Quem apagou a luz? Ficou tudo escuro de repente… Acho que vou…

A bomba foi ativada e o gerador explodiu. Nenhum brinquedo pode ir pelos ares agora. As luzes de emergência foram ligadas. Já era esperado. O verde se espalha, como clarões, por todo o parque. Tiros e gritos. O que Coringa ainda planeja? Uma busca.

***

- Não se esqueçam: temos reféns e feridos lá dentro. Muito cuidado com a invasão. De acordo com a denúncia anônima, nossos alvos estão pintados de palhaços. Procurem o Comissário e o Prefeito. A entrada vai ser dentro de dez minutos. Todos a postos.

***

Ele ainda ri. A gargalhada irrita. Pelo chão, ele faz questão de deixar uma trilha com as pessoas mortas, envenenadas com o gás do riso. A primeira vista, parece que morreram felizes. Ouça-o. Feche os olhos e o imagine correndo pelo parque. Pequenas explosões. Os capangas saíram da Fun House. Muito lógico para ele.

- Hei! Isso aqui ficou escuro! Baaaaaaaaatman! Sei que está em algum lugar! Vamos brinquedos, explodam! Droga! Inteligente de sua parte destruir o que dava energia para a ativação das bombas. Mas acha que isso foi suficiente? Quer um charuto? Esse é dos bons… Hehehe!

Terraço da Fun House. Já era de se esperar. Há uma escada que dá acesso até lá. Assim, ele não escutará os ruídos do gancho ou de outro utensílio. Antes de surgir, observe. Ele está arremessando charutos que explodem ao tocar em algo. Armas letais.

- Coringa.
- Meu amigão! Que demora! Como tem passado? Fuma comigo? Hehehe! Lembrei! Heróis não sabem curtir a vida! Hehehe!
- Sua insanidade passou dos limites. Entregue-se.
- Eu? Você não faz meu tipo! Hehehe! Além do mais, estou muito jovem para ceder ao amor! Hehehe!
- Você não tem escolhas. Não pode mais ferir as pessoas.
- Quem disse?

Ganhar tempo. A polícia está invadindo o local e troca tiros com os capangas.

- Que foi, Batman? Vai aceitar meu charuto? Tome! Hehehe!

Ele está arremessando vários seguidos. Quer manter uma distância segura porque sabe que em uma briga corporal ele leva desvantagem. Uma aproximação. Como?

- Bem que vivem dizendo que o fumo mata! Hehehe! Tenho que concordar com os cardiologistas. Mas você sabia que conheço muitos médicos que fumam? Hehehe!

Não permita que ele o irrite. Ao que parece, o estoque de charutos-bomba terminou. Salte. Ele ainda tira algo de um dos bolsos. Cartas. Elas brilham. São laminas afiadas que ele joga. Proteção com a capa. Algumas ficam presas, outras se perdem pelo ar.

- E então? Aceita um carteado? Hehehe!

Próximo o suficiente para desferir golpes em lugares estratégicos. Ele apenas grita, desolado, e recebe os socos. Cada tentativa de sacar algo é frustrada. Alguém se aproxima. É bom ter cuidado. Está vindo pela escada de ferro. Sons de atritos. Há alguma coisa sendo carregada.

- Seu morcego anabolizado! Não permitirei que machuque meu pundizinho!

Arlequina conseguiu se livrar das algemas. No mínimo, mãos falsas. Ela corre com o taco pronta para o golpe. Uma maneira de deter os dois de uma só vez.

- Aaaahhhh, Batman! Vai pagar caro por ter ferido o Sr. C!
- Não, Arle! Não tente bater nele assim!

Segure o palhaço pela gola da blusa. Olhe nos seus olhos. Veja toda a insanidade escorrendo pela face. Arlequina está pronta para o ataque. Gire o corpo. Ela atingiu a cabeça do Coringa com o taco de basebol. Largue-o.

- Pundizinhoooo! Não! Batman, o que você fez?
- Você o desacordou, Arlequina. A culpa foi sua.
- Nãaaaaaaaaaaaao! Pundizinho, perdoe-me! Acorde!

Ela não vai ousar outro confronto. Agora cuida do seu amado. Ela ajoelhou. Muitos doentes têm uma perda da capacidade de reagir emocionalmente às circunstâncias, ficando indiferente e sem expressão afetiva. Mas no caso de Arlequina, ela apresenta reações afetivas que são incongruentes, inadequadas em relação ao contexto em que se encontra, tornando-se pueril e se comportando de maneira excêntrica. Um embrulho para a polícia que parece ter controlado a situação.

- Alfred?
- Senhor…
- Leve de volta a aeronave. Bruce Wayne vai reencontrar as autoridades.
- Conseguiu detê-los?
- Sim. Sem dúvidas, foram feitos um para o outro. Mas para viverem em Arkham.
- Seu senso de humor está ativo! Vejo que foi bom ter ido à inauguração do parque, não?
- Correto, Alfred. Em breve estou em casa.
- Vou preparar o jantar. E falando nisso, amanhã o senhor tem uma videoconferência com investidores de Nova York.

Negócios. Sempre dividido por eles. Ou os de Bruce Wayne, ou os de Batman. Não se sabe se há um predileto. Mas agora é o homem de negócios que precisa aparecer e se mostrar bem para as autoridades. Um pouco de terra no terno, no rosto. Precisa parecer que estava fugindo e escondido.

- Comissário Gordon? Prefeito? Como estão todos?
- Por Deus, senhor Wayne! Onde estava? Por que está tão sujo?
- Desculpem-me por preocupá-los, mas assim que atendi ao telefonema, ouvi os tiros e resolvi procurar um lugar seguro para me proteger e acionar a polícia.
- Se não fosse pela chegada da força especial e do Batman, não sei o que estaria acontecendo com a gente até agora.
- Não precisa se preocupar, Comissário. Estão todos bem?
- Sim. O Coringa resolveu aprontar. Aquele louco matou muitos inocentes. E só não foi pior por causa da chegada de Batman.
- Ali está o vilão. E quem é a moça que o acompanha?
- Arlequina, a namorada dele. Era uma psicóloga e…
- Já imagino o resto, Comissário. Eles vão para o Asilo?
- Sim. Arkham é o melhor lar para esses doentes agora.
- O Coringa queria o quê, exatamente?
- Senhor Wayne, ele tem idéias morbidamente falseadas que não são acessíveis à correção por meio de argumentos…
- Interessante. Assim como essas idéias delirantes são representações inexatas que se formaram não por uma insuficiência da lógica, mas por uma necessidade interior.
- Claro. E não há necessidades interiores senão afetivas.
- Está sugerindo que…
- Isso mesmo, senhor Wayne. Ele repudia Batman. O espírito humano sempre desenvolveu ou adotou crenças bem elaboradas para satisfazer as necessidades íntimas…
- E a construção dessas crenças fantasiosas serve como proteção contra a ansiedade e a insegurança.
- Não se interessaria em tratar o Coringa? Hehehe!
- Obrigado, Comissário. Mas já tenho muito trabalho com minhas empresas.
- Desculpe pela piada inoportuna, senhor Wayne.
- Preciso voltar para a mansão. Tenha uma boa noite, Comissário.

E concluindo a conversa com Gordon, todos nós tendemos a desenvolver ficções reconfortantes úteis para proporcionar apoio e segurança à nossa personalidade.

Batman: Quase o peguei

Postado por Cadena Reef

Misteriosos assassinatos estão acontecendo em Gotham City. O Cavaleiro das Trevas precisa descobrir – e deter – quem está envenenando importantes pessoas da alta sociedade. Nem que para isso, precise visitar antigos amigos em Arkham...

Batman: Quase o peguei #01 - Desejo

- Vai perder mais uma noite de sono, senhor Bruce?
- Quando escolhi essa vida já estava preparado até para esse tipo de situação, Alfred.
- O “passeio” tem alguma ligação com as mortes por envenenamento?
- Sim… elas foram estranhas. Nenhuma das três vítimas tem quaisquer ligações… Não acho um ponto de referência.
- Apenas que foram envenenadas em uma festa…
- Exato, e por isso qualquer um pode ser o criminoso. Desde o garçom até o anfitrião. Nada me surpreende.
- Deseja que faça uma busca dos mais perigosos vilões? Ativos ou não?
- Faça-o, Alfred. E mantenha-me informado.

Tinha tudo para o evento de caridade ter sido um sucesso. Quase toda a elite de Gotham estava presente. No momento em que as doações eram recolhidas, foi servido o champanhe. Três convidados foram “sorteados” com as taças que continham o veneno dissolvido à bebida. Vestígios pelo chão, pistas que passam despercebidas.

- Alfred, o atual relatório do Comissário Gordon afirma que uma das vítimas foi encontrada no banheiro, mas a taça não estava lá, correto?
- Exatamente, senhor Bruce. E ela ainda não foi encontrada.

Cada canto dos banheiros era minuciosamente revistado. O cheio da morte ainda incomodava. Uma pessoa está tomando champanhe envenenado. Sente algo estranho, um enjôo. Vai, logicamente, ao banheiro. O sintoma inicial é a paralisação de alguns músculos. A morte é instantânea. Ela não chegou ao banheiro com a taça. No corredor há alguns cinzeiros e latas de lixo. Pessoas com boa educação se preocupariam em não deixar a taça em qualquer lugar. Mesmo morrendo. Tem algo aqui.

- Não há registro desse veneno em lugar algum. Provavelmente criado em laboratório.
- Será que…
- Três suspeitos, Alfred. Assim como o número de vítimas.
- Preparo algo para o senhor comer? Afinal, a noite vai ser longa.
- Hoje não. O computador fará alguns testes para um possível antídoto.
- Vai sair novamente?
- Asilo Arkham…
- Os três suspeitos estão detidos?
- Hoje verei a número um.
- É melhor ir prevenido, senhor Bruce. Nunca se sabe o que acontece quando se aproxima dela.

Os suspeitos são alguns dos mais perigosos inimigos. Todos são loucos e inconseqüentes. Têm idéias absurdas. E no fundo nunca sabem o que querem. Autopromoção, reconhecimento, diversão? A chuva não cessa no caminho para o Asilo. Clima favorável para uma visita inusitada a uma lunática.

- Senti seu odor de longe, Batman. Ninguém exala tanto atrativo quanto você.
- Não fique de costas, Hera Venenosa. Vire-se.

A sexualidade transpira nos poros daquela mulher. Um olhar de canto, um discreto movimento nos lábios faz com que o mais centrado dos homens sinta um desejo incontrolável de possuí-la.

- Literalmente, é um prazer revê-lo.
- Por que matou os convidados na festa beneficente?
- Do que está falando?
- Por que os matou? O que quer com isso?
- Queria que você viesse até aqui para que eu pudesse te sentir… Conhece o prazer? Me tome, Batman. Seja meu e ficará imune ao meu veneno e juntos reinaremos o mundo!
- Quero o antídoto desse veneno, Hera.

Ela é o prazer, o êxtase, o clímax. O pecado em forma de mulher. Cada curva, cada detalhe. Mantenha-se concentrado.

- Estou sendo sincera. E você sabe. Como poderia fazer isso daqui de Arkham? Assuma que veio me ver… ter… Deixe-me fazer com que sinta suas veias se abrindo para que a adrenalina corra…

Não encoste no vidro. Não feche os olhos. Não morda os lábios.

- … por seu corpo e… Batman? Fugiu, mas vai voltar…

***
- 98%. Como foi o encontro com ela? Tenso?

A palavra certa não seria essa. Talvez por Hera Venenosa ser o que é. Talvez por ter a vida amorosa um pouco esquecida, ignorada, seja tão suscetível a ela.

- Concluído, Alfred.
- Analisei os estudos enviados pelo Comissário Gordon. As três vítimas foram infectadas por diferentes tipos de veneno.
- A mesma base sofreu alterações?
- Ainda é cedo para a conclusão. Por que não toma um bom banho gelado e vai dormir?

Dormir. A bem da verdade é que não há como ter sono não por causa dessas mortes que não foram desvendadas. E sim porque ela perturba.

***

O dia já nasceu. Muitas perguntas, poucas respostas.

- O senhor vai ficar no computador até a noite?
- Tem algo nesses venenos. Uma semelhança.
- Hera Venenosa não pode ajudar?
- Não por enquanto. À noite voltarei ao Asilo ver os dois outros suspeitos.

Dia longo e cansativo. Voltar a Arkham e não rever aquela mulher é difícil. A tentação é muita. Controlar os instintos. É o que resta a fazer.

- Levante-se Coringa.
- Batmaaaaaaan!? Finalmente descobriram que você é o louco criminoso e te prenderam?
- O que sabe sobre as mortes por envenenamento?
- Apenas o que leio no jornal. Não quer entrar e bater um papo com o velho amigo? Hehehehe! Posso te ensinar a jogar poker. Mexe-mexe? Mau-mau? Buraco?

Ser repugnante. O Espantalho é o último suspeito da lista dos criminosos perigosos que podiam agir desse modo.

- Vá embora daqui, seu MONSTRO! Não me aterrorize!

Perdido nos próprios medos. Não ele. Quem?

- O que houve, Alfred?
- Seis pessoas estão intoxicadas no Teatro Central.
- Hoje é a abertura da nova temporada das peças, correto?
- O senhor deveria estar lá, sendo social. Afinal, as Empresas Wayne patrocinam o evento…
- Estou a caminho. E antes que pergunte, o Coringa e o Espantalho estão descartados também. Envie os resultados dos testes para o Comissário.

Há algo sim de errado. Três suspeitos, nenhum deles. Alguém à solta fez esse serviço, claro. Uma maneira de se comparar aos mais perigosos personagens dessa cidade? Envenenar as pessoas para se promover? Se fosse apenas isso, haveria mais pistas. Vítimas de diferentes sexos, funções, idades. Apenas uma coisa em comum: membros da alta sociedade de Gotham.

- Comissário?
- Batman!! Não me assuste! Por que não entra pela porta, como qualquer um faz?
- Onde estão as vítimas.
- Quase mortas. Precisamos de um antídoto.
- Tenha certeza de que estou me empenhando nisso. Mandei alguns resultados, vai receber em breve.
- Quem está fazendo isso?
- Vou pegar quem quer que seja. Comissário Gordon, posso levar as amostras recolhidas agora?
- Claro. Aqui estão as seis taças com algum conteúdo ainda. Preciso que você analise isso e me responda urgentemente, Pode ser? Batman? Odeio quando faz isso…

Muitas pessoas já morreram. Isso está passando dos limites. Vai ser mais um longo dia de pesquisa. Mas não será desperdiçado sem uma boa companhia.

- Alfred, prepare o terreno porque vou levar Hera Venenosa para aí.
- Senhor… não é arriscado?
- Sim. Estou indo buscá-la também porque tem algo de errado com ela.
- Certamente ela o ajudará. Mas o que pode estar errado?
- Hera está numa cela. Mas falta alguma coisa naquele lugar.
- E o que seria?
- Ela sempre faz questão de ter uma planta.

Pode ser que seja coisa da imaginação abalada por aquela voz e aqueles movimentos. Pode ser que a planta não tenha chegado. Ou ter passado despercebido pelos olhos, que só se importavam com o corpo, o desejo.

- Hera Venenosa, você vem comigo.
- Sabia que viria me buscar, Batman. Vou te dar o verdadeiro prazer…

Entrar na cela e manter a expressão séria não é fácil. Ela caminha a curtos passos, insinuando-se. Realmente não tem uma planta. O nervosismo aumenta, o suor escorre pela testa. Respiração profunda. Não há o cheiro dos feromônios. Não há o feitiço que faz os homens se tornarem escravos, objetos. Não há a real Hera Venenosa.

- Alfred, estou indo para aí.
- Está nervoso. Ela o acompanha?
- Foi um truque. Hera não estava em Arkham, e sim um clone que derreteu ao meu lado.
- Decepcionado?
Vou pegá-la.

Expressão perigosa. Conter-se para não cometer uma loucura, um suicídio, ao encontrá-la. Decepcionado.

- Desculpe interromper seus pensamentos, no mínimo cheios de pecado, mas o senhor precisa voltar para analisar as novas amostras e enviá-las ao Comissário Gordon.
- Correto, Alfred. O que há na minha agenda para amanhã à noite?

Outra festa. Mais uma oferecida pelas Empresas Wayne. Não há desculpas para faltar. Muitos convidados devem estar receosos em comparecer, mas o Comissário agiu bem. Anunciou para a população quem estava descobrindo um possível antídoto. Felizmente vai haver o encontro tão esperado. Felizmente?

- Linda festa, Bruce. A decoração está excepcional.
- Obrigado, Lara. Está se divertindo?
- Muito. Espero muito mais para essa noite…
- Bruce Wayne! Esbanjando dinheiro como sempre!
- Frank “king” Moore. Como está?

Pessoas arrogantes e fúteis. Um dos motivos para não comparecer a esse tipo de cerimônia. Interesseiros. Ser Batman é uma vantagem. Uma desculpa para não perder noites intensas, correndo perigo com esses convidados.

- Alfred, cuidados especiais com o champanhe?
- Sim, senhor. Escolhi a dedo quem serve a bebida.
- Em um daqueles seus processos?
- Certamente…
- Procure se divertir, hoje é sua folga.
- Como o senhor, ao entrar para essa vida já estava preparado para esse tipo de situação. Vou observar tudo.

Um grande homem. Fiel, atencioso, preocupado. O que aconteceria sem a presença dele? Nada. Alfred é o apoio, a base. Sem ele não haveria forças para continuar lutando, tentando melhorar o mundo.

- Senhor Bruce, tem uma moça passando mal.
- Não! Lara! Alfred, chame uma ambulância, o Comissário e bloqueie todas as saídas. Ela deve estar aqui. Eu vou achá-la.

Nunca se deve beber em serviço. Isso é regra. Ainda mais quando se é o anfitrião. Dá para ver duas mulheres andando preocupadas, em direção à saída, enquanto outros passam mal.

- Senhor Bruce, está me ouvindo?
- Sim, Alfred. Achei as mulheres. Hera deve estar por perto. Ao meu comando, apague as luzes por dez segundos.
- Encontro o senhor na batcaverna.
- Apague as luzes, Alfred.

Quando se está na própria casa, sabe-se onde fica cada móvel, objeto. Uma vantagem. Quando se segue duas pessoas, sabe-se o que fazer. Uma, você amarra e deixa num local visível para as autoridades. A outra, você, propositalmente, deixa fugir. E a segue para encontrar quem quer.

- Como me seguiu?
- Leve-me até Hera venenosa.
- Nunca!

Gás lacrimejante. Geralmente usado para dissipar grandes multidões. Não foi uma bela escolha. Rápida proteção. A resposta é dada com uma bomba de luz. É fácil notar que está cega. Ao menos nesses poucos minutos. Amarrá-la é o certo. O esconderijo de Hera. Previsível.

-
Alfred, como estão os convidados?
- Consegui um antídoto provisório usando os resultados dos testes das nove amostras, senhor.
- Encontrei ela.
- Tome cuidado, senhor. Mas seja rápido, não sei quanto tempo de vida eles ainda têm. Está no parque?

Uma plantação de orquídeas selvagem num lugar afastado do centro de Gotham. Dá para ver que tem alguém na estufa principal. Uma, duas pessoas, no máximo. Ela ama as flores. Não haveria outro lugar mais escondido. O parque já não é tão discreto; o primeiro lugar onde a procuraria. Não quis ser encontrada e muito menos ficar longe do que tanto protege.

- Onde será que aquelas idiotas estão? Já deveriam ter voltado. Esse novo clone está melhor que o primeiro…

Tom de voz meloso. Não ouça.

- Se fossem homens os contratados, já estariam de volta. É, mas também, mortos.

Ignore a risada dela.

- Acho que suas amigas estão com problemas, Hera Venenosa.
- Batman!! Você como sempre querendo atrapalhar meus planos. Por quê não fazemos algo diferente hoje?

Ela não lhe toca o peito com os dedos. Ela não brinca com o símbolo estampado.

- Acabou, Hera. Dê-me o antídoto.

Será que valeu a pena ter retirado aqueles dedos macios?

- Acabou para você, Batman. Não vou deixar que interfira nos meus planos. Conheça o clone dois. E esse sabe brigar…

Mesmo se tratando de uma cópia, é difícil desferir golpes quando os pensamentos estão longe. Outro lugar, outros atos.

- Isso é excitante! Estou lutando com Batman!

Não preste atenção. Não a acompanhe com os olhos, seguindo-a, vendo-a sentar. É normal esse desejo. Apenas o seu cheiro é alucinante. Ela está sorrindo. Não olhe àquela boca.

- Por que não me enfrenta no lugar dessa aberração?
- Se eu for, você sabe o que faremos. Mas tenho que ir. Divirta-se com minha sósia.
- Eu quero os antídotos.
Venha pegar.

Não provoque. Um homem atordoado não é responsável pelos atos. Concentre-se.

- Tchauzinho, Batman.
- Não vou deixar que escape!
- O que…? Não!

Arremessar o clone nos aparelhos é a única saída. Quem sabe a explosão…

- Você causou um incêndio. Minhas plantas queimam!

Não apenas as plantas queimam...

- Vai pagar caro!

Ela está correndo. E anuncia um beijo. Nunca diga ao seu oponente o que vai fazer.

- Morra, Batman!

Fina dor. Ela injetou algo. Não houve o – desejado – beijo. Ela está nua no inferno. Ao meu lado. Tudo é irreal.

- Não quer o antídoto? Te dei mais um motivo para conseguí-lo.

O braço esquerdo não move. O cheiro do pecado está perdendo para a fumaça. Raro momento de lucidez. Pegue-a.

- A cura!
- Como?
- Muitos já morreram, Hera. Isso não pode continuar.
- Mas vai! Enquanto esses ricos se preocupam apenas com luxo, gastando fortunas com futilidades, as plantas estão morrendo! Eu me preocupo com o futuro do planeta e me taxam de louca?

O problema é como quer resolver as coisas.

- O fogo está aumentando. Passe os antídotos!
- NUNCA!

Foi necessário. Não há como não notar a forma como está deitada, desacordada. Mais loucuras. Procure agir com a consciência. Não se aproveite. Tudo indica a morte. A mulher. O local. Reúna forças e a carregue. Antes, enrole-a com a capa. Cuide dela. Os perigosos lábios estão muito próximos. A tentação é grande. O calor das chamas e a fumaça. Desperte.

- Como estão Lara e os outros?
- Graças ao senhor, fora de perigo.
- Hera criou um veneno e alterou as moléculas de cada um. Como uma gripe, Alfred, que nunca é igual à outra. Mas agora ela está detida.
- Não é outro clone?
- Não.
- Quanta convicção… esse olhar vago…

Não há como esquecer ela. Um toque… Como pode existir uma mulher que faça qualquer homem perder a cabeça, e se tornar objeto, aceitando a morte para ter o prazer dela? Ninguém está livre depois de olhar aquela mulher.

- Um magnífico plano dela, se me permite.
- Por que esses lunáticos não usam a inteligência para fazer o bem?
- Assim, o senhor perderia o cargo de protetor e defensor, senhor Bruce.

Shakira LOCA em Barça!

Postado por Cadena Reef

A cantora colombiana Shakira lançou o clipe de seu novo single, "Loca". A música faz parte do disco "Sale El Sol", com lançamento marcado para o dia 15 de outubro (saiu temt empo já, mwhahah). O CD resgata a musicalidade latina de Shakira e também terá uma versão em inglês, chamada "The Sun Comes Out".

O clipe de "Loca" foi filmado em Barcelona, na Espanha, durante o mês de agosto deste ano. As filmagens do videoclipe causaram uma leve controvérsia na Espanha, já que a cantora, mesmo sem permissão da prefeitura, dançou em uma fonte e andou de motocicleta sem capacete.

"Loca" é uma interpretação de Shakira para a canção "Loca Con Su Tiguere", do dominicano El Cata, que participa do single em espanhol da cantora.

Finalmente ela se covnenceu de que sua melhor fase foi quando honrava sua latinidade. Aquele show MTV Unplugged dela foi o mlehor dela. Mané deixar de cantar em espanhol pra tentar ser diva pop, minha filha!!


Confira abaixo o vídeo da versão em inglês de "Loca", com a participação de Dizzee Rascal.
 


Loca lyrics

Informações retiradas daqui.

Estranho...

Postado por Cadena Reef

Dizem que quando estamos ociosos nos tornamos vulneráveis. Discordo totalmente.

Eu me torno mais criativo. A cabeça não para nem por um segundo.

Isso é que me assusta.

Porque lembro de tanta coisa, lembro também de todos os planos...

Vejo as pessoas, amigos ou conhecidos, e recordo...

Sinceramente, nem bem sei direito o que acontece pra me fazer escrever sobre isso. Nem inspirado, ou nostálgico, ou saudosista estou.

Acho que foi pelas cartas antigas que reli hoje. Pelas pessoas antigas que revi hoje.

Pela vontade de ter, novamente, aquela vida normal.

Eleições

Postado por Cadena Reef

Sim, o voto é secreto, por isso, não me peçam pra votar no candidato A ou B, ok?

Pro inferno, mwhahaha!

Mas quem votar, vote consciente, né? Ao menos uma vez na vida...

Hera Venenosa #08

Postado por Cadena Reef

"Você vive outro tipo de realidade quando cresce lá fora, no meio da floresta, ao lado dos pequenos esquilos e das grandes corujas. Todas essas coisas estão ao seu redor como presenças, representam forças, poderes e possibilidades mágicas de vida que, embora não sejam suas, fazem parte da vida e lhe franqueiam o caminho da vida. Então você descobre tudo isso ecoando em você, porque você é natureza."
A lagoa-apache, Edward s. Curtis (1868-1952)


Hera Venenosa #08 - Éden


Floresta amazônica, local exato: desconhecido


Era um sonho.


Foi um sonho.


Ela ainda estava na fase intermediária, entre a infância e a adolescência. Seu quarto, com as paredes em várias tonalidades de verde. Alguns bichos de pelúcia. Uma jardineira na janela, com algumas flores cheirosas e, no centro, um cacto.


Finalmente esse cacto florescera. Um lindo botão vermelho surgia entre os espinhos.


- Não toque, você pode se machucar. – dizia a mãe, preocupada.


A teimosia e a curiosidade instigavam. Um filete de sangue escorria da ponta do dedo indicador. Choro.


- Eu falei, minha filha. Essa planta é assim porque foi uma forma que ela conseguiu para poder sobreviver. Veja: o talo, em si, é grosso, e os espinhos, de longe, fazem com que pareça algo macio. Tamanho cuidado para proteger essa linda flor que, raramente, sai.


Não, não era um sonho. Não foi um sonho.


Pamela estava encostada a uma grande arvore, quase sentando na grama ainda encharcada pela chuva incessante. Não sentia firmeza nos músculos, nem coragem. Nem equilíbrio. Nem vida.


Não tinha se acostumado com o que lhe ocorrera no corpo. Muito menos, dentro dele.


Nem quanto tempo passou.


Sentia algo quente lhe correndo pelas veias e artérias. As articulações estavam praticamente comprometidas. 

Não tinha coragem de se ver.

- O que… fizeram… comigo…? – balbuciava, tentando compreender as novas mudanças. Nada, em anos de estudo, pesquisas e de acompanhamento a ações ambientalistas com a mãe, ou até mesmo os trabalhos realizados pelos pais, voltados à biologia, traziam alguma resposta.


A morte veio visitá-la diversas vezes, mas algo a afastava dela.


Pensou em Deus, no destino. Se convenceu da crueldade humana, inclusive, ao lembrar-se das coisas que aconteciam no laboratório.


- Woodrue… me ajude…


O desespero tomava conta, prova disso era acreditar que o mesmo homem que lhe transformara num monstro, poderia trazer-lhe a redenção.


Não tinha noção de espaço. Seu cérebro não funcionava direito. Como se estivesse apenas dando ordens para adaptar o corpo às novas mudanças.


E era isso o que acontecia; mechas de cabelo pairavam sobre ela e sobre a terra. As unhas estavam quebradiças; os dentes, moles.


Não apenas sua visão estava turva; os demais sentidos também foram comprometidos: não sentia mais os cheiros, nem os gostos, muito menos tinha sensibilidade, já que sua pele estava coberta por uma grossa camada, como cascalho.


O que ouvia era apenas o silêncio.


Como seu corpo providenciava formas de defesa, ela estava mais vulnerável. Por não sentir nada, não sabia se sofria dores, ou se estava ferida. Se tinha fome. Mas vomitava. Muito.


Um líquido viscoso, verde, que, em contato com a grama, causasa reações diversas. Ela não prestou muito atenção nisso; era nojento, claro. Só que era algo com grande toxicidade, já que as flores que recebiam respingos do expelido secavam, murchavam, acinzentavam, quase que instantaneamente. Ou então, em contato com o solo fértil, faziam brotar sementes que nem haviam geminado.


Convulsões e ataques epiléticos vinham acompanhados por uma intensa sonolência, e o corpo facilmente tombava, pesado, no solo úmido. E a cada despertar, ao erguer milimetricamente que fosse, o corpo, notava que entrava em processo de enraizamento.


Não comia. Não bebia. Parecia saciada ao receber a luz do sol, ou gotas do orvalho, ou o sereno, quando começava a anoitecer.


Seus 20 dedos não tinham mais as formas definidas. Nem seu nariz, ou suas orelhas. Não havia mais curvas em seu corpo.


Mas ela ainda conseguia chorar. A lágrima descia, se embolando nas ranhuras da casca. Tontura.


Assim, sem mais nem menos, sem motivos aparentes, ou algum que seu cérebro havia registrado, Pamela levantou, agarrando-se ao tronco que lhe servia de sustento. 


Ouviu quase impossíveis ruídos de rachaduras, como se uma imponente construção estivesse prestes a desabar.


A cada movimento, o barulho aumentava. Quando passou a tentar andar, viu o que seu ouvido não lhe apresentou: as cascas nas articulações estavam se rompendo.


Como uma criança, que não resiste ao ver o cascão de uma ferida se formado, Pamela passou a, desesperadamente, arrancar tudo, sem raciocinar se poderiam haver graves consequências.


Não sangrou. Não sentiu dor. Em algumas vezes, verdade, ela até se deliciava com o ato – da mesma forma como casais enamorados se divertem quando um toma sol em demasia, e o outro fica tirando a pele morta.


Lembrou-se do cacto. Dessa vez, com consciência.


O rosto foi o momento mais complicado e delicado, mas a angústia era apoiada pela ordem cerebral.


Passou a se alisar e seu coração se encheu de ar e de esperança: tinha o sentido do tato de volta. Mas a descoberta veio acompanhada por um novo grito.


Sua pele agora estava verde e escorregadia, como musgo que sai das pedras ou de outros locais molhados.


Correu, com escorregadelas, deslizes, até o mesmo riacho que a deixara traumatizada: se olhou e o espanto ecoou pela mata densa.


Seus olhos estavam amarelados, seus lábios, quase pretos. O que lhe serviu, até certo modo, de consolo, foi que seu cabelo já crescia onde antes havia a sombra da calvície. O fio parecia como o de outrora: vermelho e fino. 


Ficou em pé, para compreender o que lhe acontecera: não havia pelos, além da sobrancelha e dos cabelos; seu nariz e suas orelhas tinham formas novamente; seus seios pareciam mais rígidos e seus dedos voltaram ao normal. Mas as unhas ainda estavam quebradas…


Se sentia feia, como se sentiu a vida inteira. Se sentiu sozinha, excluída. E o pior: se sentiu usada, traída, machucada.


Sua visão voltara ao normal. Melhor: como se fosse mágica, seus problemas oculares haviam desaparecidos. Podia sentir, novamente, os aromas da floresta e, na boca, enjoava com o gosto desconhecido, que dominava seu paladar. Seus ouvidos, como fossem desentupidos; o que lhe fez escutar a hipnotizante melodia…


Ouviu um rápido sonido e, ao se virar na direção, entrou em choque, quando uma cobra saltou sobre ela, e lhe acertou um bote no pé direito. 


Berro.


Balançado a perna, Pamela tentava se livrar do bicho peçonhento, que ficou, através das presas, colado a ela.


Começou a sentir calafrios e imaginou que a morte, mais uma vez, estava de passagem.


Mas não compreendeu quando o ofídio parou de se mexer. Curiosa, como bióloga ou como ser humano, Pamela se aproximou e descobriu que a serpente estava morta.


Descobriu também que algo quente escorria do meio de suas pernas. 


- Deve ter sido resultado do medo…


Passou a mão e cheirou.


Ela acabara de ter um orgasmo. 


Sorriu, envergonhada, mas com vontade de repetir.


Passou a caminhar em busca de perigo, para repetir a experiência. O que lhe aconteceu foi, novamente, inesperado: diversos insetos e pequenos animais iam atraídos ao encontro de Pamela. Como se seu odor fosse um ímã, e tragasse todos, irracionalmente.


Passou a correr, desesperada, cambaleante por ainda não estar 100% firme das pernas. Pulou pedras, se esquivou de árvores. Sentiu fogo em algum lugar. Ouviu cânticos xamânicos e foi na direção deles.


No meio do caminho, um esbarrão: Kaloré.


Um urro e um desmaio. A cantoria cessou e passos e vozes se aproximavam. Quase todos que estavam na desconhecida tribo indígena se assustaram quando viram Pamela, nua, verde, com cabelos da cor do fogo.


Alguns, com tochas, iluminavam, para ver se era algo real, ou consequência do que haviam usado durante o ritual secreto. 


O mais forte deles, que parecia o líder dos guerreiros, se aproximou mais e a tocou com as pontas dos dedos.


Pamela, estarrecida, observava, sem coragem, até mesmo, de cobrir o corpo.


Ao mesmo tempo, na mão do guerreiro brotavam bolhas.


O espanto foi geral, e todos voltaram, correndo, até a oca, onde estavam, calmos, e tragando algo, o pajé e o cacique.


Na conversa rápida em dialeto nativo, o cacique mandou trazerem Pamela, sem que tocassem nela. E assim foi feito, quando guerreiros, armados com lanças, empurravam aquela mulher até o centro da aldeia.


Encolhidas, crianças e mulheres observavam, de longe, o cacique conversar com o pajé, que já sacara seus instrumentos denominados mágicos. O chefe dos guerreiros, agonizava, olhando a mão, praticamente perdida.


Isolaram Pamela numa oca e trataram de tragar a substância lisérgica, para que, assim, o pajé pudesse entrar em contato com os deuses.


No resto da aldeia, comentavam se Pamela era algum espírito protetor da floresta, como o curupira.


Kaloré, impressionado, tentava apoiar o irmão, que se tornava incapaz de entrar em combates, já que sua mão ardia e nela surgiam mais bolhas.


O cacique ordenou que os aldeões ficassem fora da taba por algum tempo, deixando apenas o pajé, o líder dos guerreiros, Kaloré e a mulher estranha.


No mesmo instante, o pajé chamou Kaloré:


- Essa mulher veio do outro lado do rio para se vingar.
- Perdão, mas eu a conheço. Ela foi usada pelos brancos. Foi mais uma vítima das experiências.
- Como pode ela ter sobrevivido?
- Não sei. Eu vi quando a enterraram e quando ela saiu da terra, como uma árvore.
- Temo pelo nosso povo, Kaloré.
- O que os deuses disseram?
- Que ela traz consigo uma maldição.
- O que devemos fazer, então?
- Primeiro, ela deve curar nosso guerreiro. Depois, a sacrificaremos aos deuses celestes.
- Curar? Como?
- Se ela o fez adoecer, ela saberá como curá-lo.
- Não sei, pajé. Essa mulher sofreu mutação, assim como nossos irmãos, mas ela conseguiu sobreviver.
- Ofereça o chá para ela. O “cipó das almas”, obtido da mistura do cipó jagube e da folhas da planta chacrona, com seus poderes, fará com que ela adquira a resposta.
- O chá? Mas é algo sagrado para nós, pajé. Nenhum estrangeiro pode usufruir dos nossos métodos. Tem que ter outro modo, afinal, o tratamento e a cura de doenças são feitos pelo pajé, através de práticas mágicas.

- É uma ordem do cacique, Kaloré. A não ser que queira ter o mesmo destino do seu irmão.

Hesitante, Kaloré recolhe o material exigido e inicia o preparo do chá. Pamela, de dentro da oca, escuta aqueles mesmos cânticos. Seu irmão geme de dor.


Numa espécie de cuia, passado às pressas, Pamela recebe o chá e a ordem para tomá-lo por completo. 


Ela, sem se importar, já que não sabe mais o que o destino lhe reserva, bebe o conteúdo de uma única vez.


Então, experimenta uma mudança drástica na interpretação da realidade, ou mesmo algum tipo de transporte de todos os sentidos para outra dimensão. 


Começa então, a ter visões fortes, tanto positivas como negativas. Todas essas visões contam histórias sobre quem bebe a poção, e sobre todo o universo.


Desde os maiores segredos ate a sua formação. 


Se viu num mundo fantástico, colorido, de todos os tons e superfícies. Mesmo de olhos abertos, o que via não era registrado pelo cérebro. Na verdade, ela tinha vontade de tocar, lamber, sentir.


Do lado de fora, o pajé, o cacique e Kaloré aguardavam, pacientemente, o resultado do pedido dos deuses.


Como se possuída, Pamela sai da oca, deixando todos perplexos.


Ela camainha calmamente, alisando as palhas, o barro, o próprio corpo. Foi assim até chegar onde estava o guerreiro.


E ali, na frente de todos, arrancou a tanga que protegia o sexo do indígena e o abraçou ternamente.


Em seguida, passou a mordiscar as orelhas dele, a lamber o rosto, pescoço, morder o queijo e beijar os olhos. Pegou a mão doente e esfregou pelo próprio corpo, dos seios até a vagina, e inseriu alguns dedos dele dentro dela. 


Com a outra mão, puxou-lhe a cabeça e lhe beijou profundamente. Quentura. Beijo intenso. As chamas da fogueira aumentaram. Os três nativos admiravam, apesar da cena forte.


Pamela retirou os dedos dele que lhe masturbavam e, em seguida, os colocou na própria boca, chupando-os. O índio, enfeitiçado, apenas murmurava.


Pamela passou a morder o tórax definido pela caça e pela guerra, e chegou até o pênis. Colocou-o na boca e passou a sugá-lo com sofreguidão. Levantou-se rapidamente e ali, em pé mesmo, introduziu o falo do indígena na vagina e passou a realizar movimentos frenéticos.


O pajé, o cacique e Kaloré escondiam a excitação, colocando, sobre o colo, folhas largas ou utensílios diversos.


A respiração aumentou, os giros dos corpos se intensificaram e assim veio o orgasmo.


O índio caiu de costas e Pamela, sentada sobre ele.


Desfalecidos.


O silêncio reinara, mas era possível ver os líquidos escorrendo pelos órgãos genitais de ambos.


Pamela tombou para o lado e Kaloré rapidamente foi ao encontro do irmão.


Incrédulo, gritou, xingou, chorou. 


As bolhas haviam se espalhado por todo o corpo, e o membro sexual dele estava seco.


- Se ele está morto é porque assim quiseram os deuses. - disse o pajé.
- Kaloré, reúna a tribo novamente e, em seguida, prepare o ritual de morte. Vamos colocar o corpo de seu irmão pendurado na árvore, e assim que se decompuser, vamos recolher os ossos e cremá-los. Você vai misturar um pouco das cinzas ao mingau de banana e tomará todo. O restante será enterrado no mesmo lugar onde fizermos o fogo. - ordenou o cacique.
- Nunca! Essa bruxa vai pagar pelo que fez! - e saiu correndo, em disparada, na direção do Centro onde estava Dr. Woodrue e demais cientistas responsáveis pelos projetos de seres híbridos.
- O que faremos com ela, pajé? - questionou o cacique.
- O que querem os deuses: a deixaremos entregue à própria sorte.

Hera Venenosa #07

Postado por Cadena Reef

Hera Venenosa #07 - Fotossíntese


Amazônia, dias atuais


Localização exata: desconhecida.


De dentro de um avião bimotor, Pamela se deliciava com a vista: mata densa, fechada.


De cima ela nem percebia o que agora seus sentidos a apresentavam: o cheiro da terra recém-chuva e a construção erguida no meio de uma clareira.


- Dr. Woodrue, onde estamos, exatamente?
- Na sua casa durante os próximos anos, senhorita Isley.


Assim que sente o corpo estremecer por tamanha excitação, prenúncio de descobertas, os dois são recepcionados por um seleto grupo de cinco renomados cientistas; quase um de cada continente.


- Bem vindo, Dr. Woodrue. Como foi a viagem?
- Como um conto de Julio Verner, Dr. Hayate. Essa é a minha assistente, Pamela Isley.
- Isley? – questiona, interrompendo Dr. O’Neal – Acredito que li algum trabalho seu…
- Da minha mãe, creio eu. – responde Pamela.


Discretos sorrisos quebram a formalidade.


- Pamela, já conhece o Dr. Hayate e o Dr. O’Neal, do Japão e da Austrália, respectivamente. Estes são o Dr. Alencar, do Brasil, Dra. Sarno, da Itália, e o Dr. XX, da África do Sul.
- Incrível! Estudei artigos de todos vocês… Desculpem, mas estou emocionada! Diversos pesquisadores das mais variadas floras do planeta…


Um indígena se aproxima, carregando a discreta bagagem de Pamela.


- Este – diz Woodrue – é Kaloré, nativo, vai ser seu guia nas próximas semanas. Conhece toda esta região amazônica, além das flores e animais.


Discretos cumprimentos com as cabeças.


E assim todos entram no parque tecnológico. Totalmente auto-sustentável, utilizando energia limpa, reciclagens…


O pulmão de Pamela encheu-se nos primeiros passos já dentro do Centro. Por fora, parecia menor…


Kaloré leva a mala de Pamela para o aposento e ela segue caminhando com os seis cientistas.


- Deve estar confusa, senhorita Isley, mas em breve vai se acostumar. Não se preocupe com as náuseas ou vômitos, são comuns por aqui por causa do… digamos… ar puro.


Dito e feito. Pamela já sentia ânsias…


- Menina – diz Woodrue – se você preferir, pode caminhar com Kaloré pela floresta, a fim de se adaptar previamente.
- Bom, pode ser, mas antes, só para acalmar meus ânimos, qual trabalho vocês desenvolvem aqui?
- Como pode perceber – Dr. Hayate – aqui trabalhamos com pesquisas. Analisamos espécies de plantas e seu pontencial – seja ele qual for – para partir para a produção de medicamentos, cosméticos e demais usos.
- Interessante – responde Pamela, empolgada – e os laboratórios?
- Você terá ingresso a quase todo o Centro Pamela – explica Dr. Woodrue. Depois lhe darei um cartão de acesso e, logicamente, onde a porta não abrir é porque você não poderá entrar.


Risos.


- Estamos na mais rica região de biodiversidade do mundo – diz a Dra. Sarno – Nós também fazemos experiências para reproduzir plantas de outras regiões, além de desenvolver novas espécies, até mesmo para potencializar a polinização e proteger do desmatamento.
- Acho que essa parte chata pode ficar para a reunião de amanha, não acham? Kaloré, leve panela para um passeio.


Pamela se despede e caminha, trêmula, ao lado de Kaloré.


Lá fora, o sol ainda está a pino.


- Doutora…
- Pode me chamar de Pamela.
- Pamela… a primeira regra é: jamais ande sozinha pela região.
- Nem devo falar com estranhos, né?


O nativo não entende a piada.


- Segundo, está vendo aquele arco, entre duas grandes árvores?
- Que tem?
- Nunca cruze aquela placa. Lá é a parte proibida.
- Como assim?
- Os cientistas ainda não desbravaram aquela região. Ninguém pode ir até lá.
- Hum… entendo… Mas há previsão de iniciar a pesquisa por lá?
- Sim. Além de ser uma parte intocada, existe uma etnia indígena arisca… primitiva… que não tolera contatos com outros povos, seja lá de onde forem.
- Acho que li algo sobre isso…
- Não. Ninguém sabe da existência deles.
- Como você sabe?


Os minutos de silêncio respondem à pergunta.


- Você… Meu Deus! E como você…?
- Não tenho permissão para falar, Pamela.
- Ainda não tem, né? – e segura os óculo de grau que deslizam pelo nariz.
- Veja… aqui você vai encontrar muitas plantas novas, por isso, não mexa em nenhuma que não conheça.
- Terceira norma anotada. Tem mais?
- Entre no Centro quando o último pássaro cantar. A noite aqui é traiçoeira.
- Isso me cheira a lendas!
- Isso tem cheiro de animais selvagens e plantas venenosas.


Um frio na espinha.


- Não posso negar, Kaloré. Estou me sentindo completa agora. Como se, finalmente, achasse meu caminho. A minha vida ainda melhora: como se minha mãe estivesse aqui, comigo.
- Ela é uma estrela agora?
- Hã?


Mais silêncio.


- Sim! Entendi! Ela morreu quando eu era pequena. Estava defendendo a natureza.
- Por isso segue os passos dela?
- Acho isso muito nobre.
- Se está feliz, achou seu caminho realmente.
- Você se encontrou?
- Pode apostar.


Caminham a lentos passos. Pesquisando. Apontando. Descobrindo sobre as culturas novas. Vendo animais e as cores das espécies inéditas, que enchiam os olhos de Pamela.


- Devemos retornar agora.
- Mas já?
- Sim. Você precisa tomar algumas vacinas e dormir um pouco. Amanhã cedo daremos outra volta.
- Obrigada, Kaloré, por enriquecer meu dia e encher minha alma.


E assim alguns meses se passaram, numa rotina mágica.


Análises de novas plantas, catalogação, estudos de reprodução, propriedades de cada uma. 


Os grandes e potentes computadores previam resultados de cruzamento entre espécies e havia testes de cada componente retirado das raízes, caules, folhas, flores e frutos.


Um dia Pamela teve contato com o cansanção e ao tempo em que se desesperava, admirava as erupções cutâneas na pele e, curiosa tentava entender as reações que vidas pequenas faziam nas grandes máquinas, como o corpo humano.


Finalmente ela esqueceu o passado, ou, pelo menos, o deixou escondido em algum lugar das lembranças perdidas.


Era uma vida nova. Sem aqueles temores. Sem o pavor de dormir achando que alguém lhe invadirá o quarto e lhe roubará o corpo.


Nos outros dias, aquele sentido humano que, ora ajuda, ora estraga lhe batia à porta da razão.


Não se tinha notícias de quando o processo de exploração da floresta secreta se iniciaria.


Nem as palavras tranquilas de Kaloré acalmavam a curiosidade e a vontade do desconhecido.


Até aquele dia.


Aquele.


Quando, de jaleco e prancheta, Pamela concluiu análises na estufa e, antes de retornar pro Centro, sentiu o cheiro.


A tensão arterial foi reduzida, assim como seus batimentos cardíacos.


Quanto mais inalava, mais sentia seu corpo flutuar; sendo levado, quase que inconscientemente.


Ignorou o aviso de “não ultrapasse” ao passar sob o arco entre as duas grandes árvores.


Zonza.


Olhos secos.


Em nada pensava, mas parava para delirar as plantas de cores florescentes que surgiam em sua frente.


Não ouviu (ou ignorou?) o último pássaro cantar.


Seguia pela mata fechada, embalada pelo ardor nas narinas. 


E depois pelas vozes que ouvia.


Ela jurava que alguém a chamava, cantarolando seu nome em vários tons.


Seu rosto esquentou. Nesse momento ela perdeu os sentidos.


Entrou em transe.


Só que ela parecia, de alguma forma, consciente, porque parou para não ser vista e assim poder analisar o que estava queimando na grande fogueira: um corpo. 


Era um ritual indígena que celebrava a morte de um tribal.


Os nativos dividiam uma cuia com um líquido escuro e revezavam um de cachimbo. Sempre entoando…


A hipnose não cessava.


Até seu corpo tombar.


Ao fundo, Kaloré disparara com uma espécie de zarabatana.


Frio.


Seu corpo sofria espasmos.


- Os batimentos cardíacos ainda não se normalizaram, Dr. Woodrue.
- Entendo, Kaloré, você deu a dose certa?
- Eu nunca erro, senhor.
- Dr. Hayate, aumente a dose de soro. O que ela viu, Kaloré?
- Tudo.
- Até a cremação?
- Sim, mas ela não estava 100% sã.
- Não importa. Ela vai questionar sobre os nativos.
- Ela é uma ameaça?
- Qualquer um que vê o que não compreende, se torna uma ameaça, Dr. Alencar.
- O que sugere?
- Vamos usá-la como cobaia.
- Não é melhor esperar os sinais vitais se normalizarem?


Pamela já ouvia. Via. Sentia.


- Ela pode morrer, senhor.
- Kaloré, saia, agora! Dr. XX, reúna a equipe e reavalie os últimos professores, refaça cálculos, enfim, quero todos vocês trabalhando. Vou ficar aqui com ela, quero realizar uns exames.


Todos saem da sala.


Pamela, deitada naquela cama hospitalar, com os punhos presos, assim como o tronco.


- Eu pensei que você não fosse me trair, Pamela. Confiei em você. Confiei na sugestão de um grande amigo. E o que ganhei em troca? Traição! - diz Woodrue, ao pegar uma seringa – Dei a chance para você mudar de vida, de se tornar uma espera em biologia… manipular a vida, Pamela! Você desperdiçou isso! Por curiosidade! – injeta a agulha numa ampola e traga o conteúdo – Poderia me ajudar com todo seu potencial no processo de criação de seres híbridos, super-homens com poderes naturais… criaturas que valeriam milhões para serem usadas como soldados… Aquele infeliz que ardia na tribo foi mais um fracasso! Todos os indígenas de lá são nossas cobaias… todos que pegamos, falharam! – bate na seringa com os dedos – Você me traiu, Pamela!
Ela abriu os olhos. Dr. Woodrue viu e riu. Ela tentou gritar, se mexer, mas ainda não tinha controle sobre o corpo.
- Sabem o que dizem da heroína, Pamela? Que se ela for injetada durante o sexo, o ato se torna como um… Nirvana!


Os olhos de Pamela se enchem de lágrimas.


- Isso é melhor do que heroína! É usado por séculos pelos indígenas como afrodisíaco!


Dr. Woodrue injeta o conteúdo na verde eia do braço direito da nova cobaia.


- Isso que você recebe é m ais do que um contato com os deuses… É a transformação num deus!


As pupilas de Pamela se dilatam. Woodrue puxa-a pelo quadril, abaixa a calça branca até os joelhos, separa as pernas dela e inicia o movimento de vai e vem.


- Viu só? A pressão que sua vagina recebe por causa do fluxo sanguíneo intensificado? Seus hormônios, tudo vive em função do que injetei em você. Percebe que tá gozando? Que não para de gozar? Hein, Pamela? Que seus orgasmos estão tão violentos que parece que você está urinando? Percebe?


As pernas de Pamela estão sobre os ombros de Woodrue, que não agüenta e ejacula sobre a barriga dela, atingindo, inclusive, os seios.


- O melhor é que você não foi violentada, Pamela. Não pode me acusar de estupro porque você está consciente! – ele sobe as calças e com o próprio lençol limpa o corpo de Pamela.


Pouco tempo depois os cientistas iniciam o processo. Injetavam diversas agulhas pelo corpo, pregavam a pele em aparelhos, tubos pelo nariz…


- É a hora, meus colegas!


Um botão apertado.


Um corpo agonizando. 


Se tornando verde.


- Se ela passar por essa primeira etapa… vamos ter sucesso!


Sinais baixos.


Parando.


Parando.


Parados.


- Morta! Mais um fracasso! Imprimam relatórios! Vou levar o corpo para o aterro.


Debaixo da chuva, Woodrue carrega Pamela, nua. Cava uma cova rasa e a enterra.


- Merda, Pamela! Você só me deu prejuízo! 


Woodrue se afasta, resmungado. Kaloré se aproxima, se escondendo.


Ele medita, como se rezasse para seus entes celestes.


A grama rapidamente cresce na terra remexida,


Essa terra ainda revira, viva.


Kaloré assiste a tudo, incrédulo.


Uma mão escapa. O índio grita e corre, desesperado.


A chuva aumenta. Os cânticos dos nativos ecoam pela floresta.


O cheiro.


O mesmo transe.


Um corpo surge do chão, levanto a terra em todas as direções.


A mulher nua.


Pele grossa, como casca de árvore.


Cabelos ressecados, como palha.


O grito aterrorizante acompanhou os movimentos das mãos, ao tocarem o corpo. 


Corrida pela mata. Os sons e a chuva seguiam vibrantes.


Que aumentaram, quando ela chegou num riacho.


Como aumentaram, também, os gritos. O desespero.


Ela não se reconheceu ao ver o próprio reflexo.

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** Kaloré - Campo das árvores pintadas

Nascido em 7 de maio. Taurino com ascendência em Escorpião e lua em Aquário. Oxalá é meu pai, e Santo Antônio me leva. Baiano com sangue cubano. Devoto [e pirata] do Caribe. Jornalista, roteirista, escritor e boxeador. A música latina me fascina e a música eletrônica me corrompe. Vivo apaixonado e, sem dúvidas, sou apaixonante. Não troco nada por uma cerveja num boteco com meus amigos nem outra bebida com aquela que vou considerar a mulher da minha vida. Tenho três tatuagens - quero mais - e não resisto a mulher usando rabo-de-cavalo, nem a minha sobrinha/afilhada dizendo: Didi, venha cá!