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batman: quase o peguei

Postado por Cadena Reef

Em plena inauguração de um novo parque de diversões, Batman se depara com um casal de rosto pintado que está disposto a matar muita gente... Será que a loucura dos palhaços vencerá a sanidade do vigilante?


Batman: Quase o peguei #2 - Delírio

- Bruce Wayne! Quando falaram que estaria presente na inauguração do novo parque de diversões de Gotham City, quase não acreditei!
- Não poderia deixar de participar desse evento que vai ampliar a área de lazer da cidade, Prefeito.
- Veja quanta gente! Todos se distraindo nessa noite maravilhosa. Brinquedos cheios, a alegria estampada nas pessoas! A imprensa está toda aqui! E o Comissário Gordon fez questão de fazer, pessoalmente, a segurança!

Como sempre, Alfred sabe como deixar qualquer pessoa mais social. Será certo mesmo deixar a cidade desprotegida justamente na inauguração de um parque de diversões? O telefone celular toca…

- Com licença, senhores. Preciso atender.

Afaste-se. Caminhe. Bom que Alfred ligou. Coisas rotineiras, perguntas do tipo: se distrai? Mulheres bonitas? Essa é uma maneira de poder andar pela área que antes era um grotesco depósito de lixo. Não que negue a badalação, mas um protetor da cidade não pode se dar ao luxo de perder uma noite com distrações.

- Exato, Alfred. Nada de anormal, como previsto. Mas não pretendo demorar aqui. Tenho que fazer a ronda.
- Ao menos se delicie com uma maçã-do-amor, senhor.
- Espere, Alfred. Estou ouvindo tiros e gritos. Permaneça na linha.

É bom que não esteja acontecendo algo. O melhor é a ocultação pelas quinas, sombras. Olhar pelas beiradas. Há homens saindo da ‘Fun House’. Todos estão armados, com as caras pintadas de branco. Tiros são disparados. Muitos gritos.

***

- Biiiiiiiiiiiiiiiiiiingo! Vê só, pundizinho? Vamos bater o recorde de corpos caídos e ensangüentados!
- Não poupem munição! Mas não matem os políticos! Isso vai servir como uma… publicidade positiva! Hehehe!
- Alfred, mande o veículo aéreo. Vai inibir os seqüestradores. Avise também à polícia. Vou entrar em ação.
- Tome cuidado, senhor. Pelo que me consta, há muita gente inocente no parque…

Um lugar deserto e escuro. Ideal para a ‘preparação’. Também, para aguardar a nave que vai sobrevoar o parque. O piloto automático dará vôos rasantes. Vai anunciar a chegada. Tolos eles que não sabem que Batman já está aqui. Quem está fazendo isso?

***

- Por favoooooooooooooooooor! É só apertar um botão!
- O que vai ser para estrear?
- Hum… Roda-gigaaaaaaaante?
- Sim! Mas tente fazer com que ela ande! Vai ser emocionante ver as pessoas serem perseguidas por uma roda enorme! Hehehe!
- Ela corre e… aperta o botão!
- Que magnífica explosão! Ela vai rolar!
- Rola, rola, rolaaaaaaaaaaaaando!

Que potente estrondo. Algo muito grande foi detonado. Muitos gritos desesperados. A nave chegou. Manobras perigosas quase tocam a torre acima da Fun House. Já sabem que Batman está no parque. Hora da ação. Seja lá quem está por trás disso, não sabe o que o espera.

***

- Vejam só! Temos visitas! Não é que o morcego-que-se-acha-o-defensor-da-cidade resolveu aparecer?
- Arlequina, cuide do Comissário, do Prefeito e das outras autoridades. Não deixe que nada aconteça com nossos… hóspedes. Principalmente, Batman NÃO pode se aproximar.
- Deixa comigo, pundizinho. Com a Arlequina aqui não há problemas!
- Vou armar uma surpresa para meu amigão!
- Enquanto isso… posso detonar uns carrinhos do autopista?

***

Coringa. O insano. Sua mente perturbada e doentia piora a cada fuga de Arkham. Como pode ter um pensamento de conteúdo impenetrável e incompreensível psicologicamente? Não há argumentos contra ele. Apenas o conflito. Ele correu para o outro lado do parque. Capangas se aproximam. Rostos pintados de branco, bocas, de vermelho. O contato físico não atrai como a caçada, a descoberta. Arremesse batarangues, bombas, gases. Proteção com a capa. Uma barreira que impede os mais ousados. Um cuspidor de fogo. Pensamento rápido. A expiração não dura mais do que um minuto. Ele precisa de fôlego. Nessa hora… Descanse em paz. Um bom rastro de capangas para a polícia, prontos para a prisão. Coringa. Lá está ele.

- Isso é o mais rápido que consegue correr para alcançar o príncipe palhaço do crime, Batman???
- Você ainda não aprendeu, Coringa?!
- O quê? Que o crime não compensa? Hehehe! Que o bem sempre vence o mal?
- Não. De que você é doente e essas idéias delirantes só fazem com que minha vontade de deter você aumente.
- Fique sabendo, Batman, que essas idéias delirantes só servem para fazer com que meu ódio por você aumente cada vez mais! E falando em delírio, sabia que, etimologicamente, delírio significa ‘de: fora’, e ‘lhos: trilhos’? Ou seja, “sair dos trilhos”? Ainda não entendeu meu latim? Olhe para a montanha-russa. Como é bonito o descarrilamento!

Um carrinho da montanha-russa está preste a cair da ponta mais alta do percurso. Isso não pode acontecer.

- Seu senso de herói vai ter que trabalhar como sempre, Batman! Ou você me prende, ou aquele carrinho com crianças e seus papais e mamães vai desabar no chão! Hehehe!

Salvar inocentes sempre esteve em primeiro lugar. Coringa não vai conseguir ir longe. Ele se preocupa mais em atingir do que em fugir. Mas dessa vez sua loucura nunca esteve tão…

- Voe, morcego! Hehehe! Salve aqueles que o consideram um bandido! Hehehe!

O salto desse lugar alto, unido ao gancho e a abertura da capa, para planar, são suficientes para alcançar o brinquedo. Tem que dar tempo. Chegue antes que o carrinho caia. Não deixe que a risada do Coringa o desconcentre. Vai dar tempo. Ele experimenta sua convicção doentia sem se preocupar, de forma alguma, com outros pontos de vista, interesses, juízos e vidas. Não deu tempo. O carrinho está caindo. As crianças… NÃO! Isso foi o bastante. Ele não vai explodir mais nada. Pense. Provavelmente, os detonadores estão ligados à caixa de energia.

- Alfred!
- Sim, senhor Bruce?
- Preciso que me guie até o gerador do parque.
- Senhor, o atentado está sendo transmitido pela televisão. Se o Coringa queria aparecer, ele conseguiu.
- Interfira na transmissão. As pessoas não precisam saber o que está acontecendo aqui. E a localização?
- Está vendo a Casa dos Espelhos? Atrás dela.
- Alfred, e a polícia?
- Interceptei o rádio e já está a caminho. Dessa vez é a força especial que vai invadir o parque.
- Primeiro, tenho que acabar com a energia, para que nenhum outro brinquedo seja alvo dos explosivos. Depois, cuidarei do Coringa. Os agentes precisam ter cuidado ao adentrar no parque. O Comissário Gordon e o Prefeito estão como reféns. Vou encerrar o diálogo. Encontrei o que queria.

Provavelmente, assim que o gerador parar de funcionar não só a luz do parque vai acabar, assim como não haverá condução elétrica para ativar os detonadores. Antes de tudo, um excesso de energia para tentar causar um curto-circuito. As luzes piscam, sinal de que a força está baixando. Mas não seria bom facilitar as coisas para o Coringa. Ele pode ter mais cartas na manga. Bomba instalada. Três minutos.

***

- Aonde pensa que vai, orelhudo?

Arlequina, a psicóloga que enlouqueceu enquanto tratava o Coringa. Cega, outra doente que não mede as conseqüências e é repleta de idéias falsas. Enfrentá-la seria perda de tempo. Mas ela pode saber onde está quem é procurado.

- Com orelhas tão grandes não escutou a minha pergunta? Aonde pensa que vai?
- Para a casa da alegria.
- Isso é alguma piada? Só quem pode fazê-las sou eu! Sr. C vai gostar do morcego empalhado que levarei de presente!

Ela pegou um taco de basebol. Parece pesado para seu corpo frágil, mas ela sabe manejá-lo muito bem. Seus olhos irradiam uma loucura diferente da de todos os lunáticos enfrentados. Ela faz isso por amor. Um amor inconseqüente. Nem imagina que o Coringa apenas a usa para tentar concluir seus planos. Cada investida do taco é estudada. Afoita, descontrolada. Segure os braços dela. Atinja-a com a cabeça. Ela parece tonta e senta ao chão. As mãos sobre a cabeça. Guizos, sinos. Ela sorri. É melhor colocar algemas. Ainda pode causar problemas.

- Quem apagou a luz? Ficou tudo escuro de repente… Acho que vou…

A bomba foi ativada e o gerador explodiu. Nenhum brinquedo pode ir pelos ares agora. As luzes de emergência foram ligadas. Já era esperado. O verde se espalha, como clarões, por todo o parque. Tiros e gritos. O que Coringa ainda planeja? Uma busca.

***

- Não se esqueçam: temos reféns e feridos lá dentro. Muito cuidado com a invasão. De acordo com a denúncia anônima, nossos alvos estão pintados de palhaços. Procurem o Comissário e o Prefeito. A entrada vai ser dentro de dez minutos. Todos a postos.

***

Ele ainda ri. A gargalhada irrita. Pelo chão, ele faz questão de deixar uma trilha com as pessoas mortas, envenenadas com o gás do riso. A primeira vista, parece que morreram felizes. Ouça-o. Feche os olhos e o imagine correndo pelo parque. Pequenas explosões. Os capangas saíram da Fun House. Muito lógico para ele.

- Hei! Isso aqui ficou escuro! Baaaaaaaaatman! Sei que está em algum lugar! Vamos brinquedos, explodam! Droga! Inteligente de sua parte destruir o que dava energia para a ativação das bombas. Mas acha que isso foi suficiente? Quer um charuto? Esse é dos bons… Hehehe!

Terraço da Fun House. Já era de se esperar. Há uma escada que dá acesso até lá. Assim, ele não escutará os ruídos do gancho ou de outro utensílio. Antes de surgir, observe. Ele está arremessando charutos que explodem ao tocar em algo. Armas letais.

- Coringa.
- Meu amigão! Que demora! Como tem passado? Fuma comigo? Hehehe! Lembrei! Heróis não sabem curtir a vida! Hehehe!
- Sua insanidade passou dos limites. Entregue-se.
- Eu? Você não faz meu tipo! Hehehe! Além do mais, estou muito jovem para ceder ao amor! Hehehe!
- Você não tem escolhas. Não pode mais ferir as pessoas.
- Quem disse?

Ganhar tempo. A polícia está invadindo o local e troca tiros com os capangas.

- Que foi, Batman? Vai aceitar meu charuto? Tome! Hehehe!

Ele está arremessando vários seguidos. Quer manter uma distância segura porque sabe que em uma briga corporal ele leva desvantagem. Uma aproximação. Como?

- Bem que vivem dizendo que o fumo mata! Hehehe! Tenho que concordar com os cardiologistas. Mas você sabia que conheço muitos médicos que fumam? Hehehe!

Não permita que ele o irrite. Ao que parece, o estoque de charutos-bomba terminou. Salte. Ele ainda tira algo de um dos bolsos. Cartas. Elas brilham. São laminas afiadas que ele joga. Proteção com a capa. Algumas ficam presas, outras se perdem pelo ar.

- E então? Aceita um carteado? Hehehe!

Próximo o suficiente para desferir golpes em lugares estratégicos. Ele apenas grita, desolado, e recebe os socos. Cada tentativa de sacar algo é frustrada. Alguém se aproxima. É bom ter cuidado. Está vindo pela escada de ferro. Sons de atritos. Há alguma coisa sendo carregada.

- Seu morcego anabolizado! Não permitirei que machuque meu pundizinho!

Arlequina conseguiu se livrar das algemas. No mínimo, mãos falsas. Ela corre com o taco pronta para o golpe. Uma maneira de deter os dois de uma só vez.

- Aaaahhhh, Batman! Vai pagar caro por ter ferido o Sr. C!
- Não, Arle! Não tente bater nele assim!

Segure o palhaço pela gola da blusa. Olhe nos seus olhos. Veja toda a insanidade escorrendo pela face. Arlequina está pronta para o ataque. Gire o corpo. Ela atingiu a cabeça do Coringa com o taco de basebol. Largue-o.

- Pundizinhoooo! Não! Batman, o que você fez?
- Você o desacordou, Arlequina. A culpa foi sua.
- Nãaaaaaaaaaaaao! Pundizinho, perdoe-me! Acorde!

Ela não vai ousar outro confronto. Agora cuida do seu amado. Ela ajoelhou. Muitos doentes têm uma perda da capacidade de reagir emocionalmente às circunstâncias, ficando indiferente e sem expressão afetiva. Mas no caso de Arlequina, ela apresenta reações afetivas que são incongruentes, inadequadas em relação ao contexto em que se encontra, tornando-se pueril e se comportando de maneira excêntrica. Um embrulho para a polícia que parece ter controlado a situação.

- Alfred?
- Senhor…
- Leve de volta a aeronave. Bruce Wayne vai reencontrar as autoridades.
- Conseguiu detê-los?
- Sim. Sem dúvidas, foram feitos um para o outro. Mas para viverem em Arkham.
- Seu senso de humor está ativo! Vejo que foi bom ter ido à inauguração do parque, não?
- Correto, Alfred. Em breve estou em casa.
- Vou preparar o jantar. E falando nisso, amanhã o senhor tem uma videoconferência com investidores de Nova York.

Negócios. Sempre dividido por eles. Ou os de Bruce Wayne, ou os de Batman. Não se sabe se há um predileto. Mas agora é o homem de negócios que precisa aparecer e se mostrar bem para as autoridades. Um pouco de terra no terno, no rosto. Precisa parecer que estava fugindo e escondido.

- Comissário Gordon? Prefeito? Como estão todos?
- Por Deus, senhor Wayne! Onde estava? Por que está tão sujo?
- Desculpem-me por preocupá-los, mas assim que atendi ao telefonema, ouvi os tiros e resolvi procurar um lugar seguro para me proteger e acionar a polícia.
- Se não fosse pela chegada da força especial e do Batman, não sei o que estaria acontecendo com a gente até agora.
- Não precisa se preocupar, Comissário. Estão todos bem?
- Sim. O Coringa resolveu aprontar. Aquele louco matou muitos inocentes. E só não foi pior por causa da chegada de Batman.
- Ali está o vilão. E quem é a moça que o acompanha?
- Arlequina, a namorada dele. Era uma psicóloga e…
- Já imagino o resto, Comissário. Eles vão para o Asilo?
- Sim. Arkham é o melhor lar para esses doentes agora.
- O Coringa queria o quê, exatamente?
- Senhor Wayne, ele tem idéias morbidamente falseadas que não são acessíveis à correção por meio de argumentos…
- Interessante. Assim como essas idéias delirantes são representações inexatas que se formaram não por uma insuficiência da lógica, mas por uma necessidade interior.
- Claro. E não há necessidades interiores senão afetivas.
- Está sugerindo que…
- Isso mesmo, senhor Wayne. Ele repudia Batman. O espírito humano sempre desenvolveu ou adotou crenças bem elaboradas para satisfazer as necessidades íntimas…
- E a construção dessas crenças fantasiosas serve como proteção contra a ansiedade e a insegurança.
- Não se interessaria em tratar o Coringa? Hehehe!
- Obrigado, Comissário. Mas já tenho muito trabalho com minhas empresas.
- Desculpe pela piada inoportuna, senhor Wayne.
- Preciso voltar para a mansão. Tenha uma boa noite, Comissário.

E concluindo a conversa com Gordon, todos nós tendemos a desenvolver ficções reconfortantes úteis para proporcionar apoio e segurança à nossa personalidade.

Batman: Quase o peguei

Postado por Cadena Reef

Misteriosos assassinatos estão acontecendo em Gotham City. O Cavaleiro das Trevas precisa descobrir – e deter – quem está envenenando importantes pessoas da alta sociedade. Nem que para isso, precise visitar antigos amigos em Arkham...

Batman: Quase o peguei #01 - Desejo

- Vai perder mais uma noite de sono, senhor Bruce?
- Quando escolhi essa vida já estava preparado até para esse tipo de situação, Alfred.
- O “passeio” tem alguma ligação com as mortes por envenenamento?
- Sim… elas foram estranhas. Nenhuma das três vítimas tem quaisquer ligações… Não acho um ponto de referência.
- Apenas que foram envenenadas em uma festa…
- Exato, e por isso qualquer um pode ser o criminoso. Desde o garçom até o anfitrião. Nada me surpreende.
- Deseja que faça uma busca dos mais perigosos vilões? Ativos ou não?
- Faça-o, Alfred. E mantenha-me informado.

Tinha tudo para o evento de caridade ter sido um sucesso. Quase toda a elite de Gotham estava presente. No momento em que as doações eram recolhidas, foi servido o champanhe. Três convidados foram “sorteados” com as taças que continham o veneno dissolvido à bebida. Vestígios pelo chão, pistas que passam despercebidas.

- Alfred, o atual relatório do Comissário Gordon afirma que uma das vítimas foi encontrada no banheiro, mas a taça não estava lá, correto?
- Exatamente, senhor Bruce. E ela ainda não foi encontrada.

Cada canto dos banheiros era minuciosamente revistado. O cheio da morte ainda incomodava. Uma pessoa está tomando champanhe envenenado. Sente algo estranho, um enjôo. Vai, logicamente, ao banheiro. O sintoma inicial é a paralisação de alguns músculos. A morte é instantânea. Ela não chegou ao banheiro com a taça. No corredor há alguns cinzeiros e latas de lixo. Pessoas com boa educação se preocupariam em não deixar a taça em qualquer lugar. Mesmo morrendo. Tem algo aqui.

- Não há registro desse veneno em lugar algum. Provavelmente criado em laboratório.
- Será que…
- Três suspeitos, Alfred. Assim como o número de vítimas.
- Preparo algo para o senhor comer? Afinal, a noite vai ser longa.
- Hoje não. O computador fará alguns testes para um possível antídoto.
- Vai sair novamente?
- Asilo Arkham…
- Os três suspeitos estão detidos?
- Hoje verei a número um.
- É melhor ir prevenido, senhor Bruce. Nunca se sabe o que acontece quando se aproxima dela.

Os suspeitos são alguns dos mais perigosos inimigos. Todos são loucos e inconseqüentes. Têm idéias absurdas. E no fundo nunca sabem o que querem. Autopromoção, reconhecimento, diversão? A chuva não cessa no caminho para o Asilo. Clima favorável para uma visita inusitada a uma lunática.

- Senti seu odor de longe, Batman. Ninguém exala tanto atrativo quanto você.
- Não fique de costas, Hera Venenosa. Vire-se.

A sexualidade transpira nos poros daquela mulher. Um olhar de canto, um discreto movimento nos lábios faz com que o mais centrado dos homens sinta um desejo incontrolável de possuí-la.

- Literalmente, é um prazer revê-lo.
- Por que matou os convidados na festa beneficente?
- Do que está falando?
- Por que os matou? O que quer com isso?
- Queria que você viesse até aqui para que eu pudesse te sentir… Conhece o prazer? Me tome, Batman. Seja meu e ficará imune ao meu veneno e juntos reinaremos o mundo!
- Quero o antídoto desse veneno, Hera.

Ela é o prazer, o êxtase, o clímax. O pecado em forma de mulher. Cada curva, cada detalhe. Mantenha-se concentrado.

- Estou sendo sincera. E você sabe. Como poderia fazer isso daqui de Arkham? Assuma que veio me ver… ter… Deixe-me fazer com que sinta suas veias se abrindo para que a adrenalina corra…

Não encoste no vidro. Não feche os olhos. Não morda os lábios.

- … por seu corpo e… Batman? Fugiu, mas vai voltar…

***
- 98%. Como foi o encontro com ela? Tenso?

A palavra certa não seria essa. Talvez por Hera Venenosa ser o que é. Talvez por ter a vida amorosa um pouco esquecida, ignorada, seja tão suscetível a ela.

- Concluído, Alfred.
- Analisei os estudos enviados pelo Comissário Gordon. As três vítimas foram infectadas por diferentes tipos de veneno.
- A mesma base sofreu alterações?
- Ainda é cedo para a conclusão. Por que não toma um bom banho gelado e vai dormir?

Dormir. A bem da verdade é que não há como ter sono não por causa dessas mortes que não foram desvendadas. E sim porque ela perturba.

***

O dia já nasceu. Muitas perguntas, poucas respostas.

- O senhor vai ficar no computador até a noite?
- Tem algo nesses venenos. Uma semelhança.
- Hera Venenosa não pode ajudar?
- Não por enquanto. À noite voltarei ao Asilo ver os dois outros suspeitos.

Dia longo e cansativo. Voltar a Arkham e não rever aquela mulher é difícil. A tentação é muita. Controlar os instintos. É o que resta a fazer.

- Levante-se Coringa.
- Batmaaaaaaan!? Finalmente descobriram que você é o louco criminoso e te prenderam?
- O que sabe sobre as mortes por envenenamento?
- Apenas o que leio no jornal. Não quer entrar e bater um papo com o velho amigo? Hehehehe! Posso te ensinar a jogar poker. Mexe-mexe? Mau-mau? Buraco?

Ser repugnante. O Espantalho é o último suspeito da lista dos criminosos perigosos que podiam agir desse modo.

- Vá embora daqui, seu MONSTRO! Não me aterrorize!

Perdido nos próprios medos. Não ele. Quem?

- O que houve, Alfred?
- Seis pessoas estão intoxicadas no Teatro Central.
- Hoje é a abertura da nova temporada das peças, correto?
- O senhor deveria estar lá, sendo social. Afinal, as Empresas Wayne patrocinam o evento…
- Estou a caminho. E antes que pergunte, o Coringa e o Espantalho estão descartados também. Envie os resultados dos testes para o Comissário.

Há algo sim de errado. Três suspeitos, nenhum deles. Alguém à solta fez esse serviço, claro. Uma maneira de se comparar aos mais perigosos personagens dessa cidade? Envenenar as pessoas para se promover? Se fosse apenas isso, haveria mais pistas. Vítimas de diferentes sexos, funções, idades. Apenas uma coisa em comum: membros da alta sociedade de Gotham.

- Comissário?
- Batman!! Não me assuste! Por que não entra pela porta, como qualquer um faz?
- Onde estão as vítimas.
- Quase mortas. Precisamos de um antídoto.
- Tenha certeza de que estou me empenhando nisso. Mandei alguns resultados, vai receber em breve.
- Quem está fazendo isso?
- Vou pegar quem quer que seja. Comissário Gordon, posso levar as amostras recolhidas agora?
- Claro. Aqui estão as seis taças com algum conteúdo ainda. Preciso que você analise isso e me responda urgentemente, Pode ser? Batman? Odeio quando faz isso…

Muitas pessoas já morreram. Isso está passando dos limites. Vai ser mais um longo dia de pesquisa. Mas não será desperdiçado sem uma boa companhia.

- Alfred, prepare o terreno porque vou levar Hera Venenosa para aí.
- Senhor… não é arriscado?
- Sim. Estou indo buscá-la também porque tem algo de errado com ela.
- Certamente ela o ajudará. Mas o que pode estar errado?
- Hera está numa cela. Mas falta alguma coisa naquele lugar.
- E o que seria?
- Ela sempre faz questão de ter uma planta.

Pode ser que seja coisa da imaginação abalada por aquela voz e aqueles movimentos. Pode ser que a planta não tenha chegado. Ou ter passado despercebido pelos olhos, que só se importavam com o corpo, o desejo.

- Hera Venenosa, você vem comigo.
- Sabia que viria me buscar, Batman. Vou te dar o verdadeiro prazer…

Entrar na cela e manter a expressão séria não é fácil. Ela caminha a curtos passos, insinuando-se. Realmente não tem uma planta. O nervosismo aumenta, o suor escorre pela testa. Respiração profunda. Não há o cheiro dos feromônios. Não há o feitiço que faz os homens se tornarem escravos, objetos. Não há a real Hera Venenosa.

- Alfred, estou indo para aí.
- Está nervoso. Ela o acompanha?
- Foi um truque. Hera não estava em Arkham, e sim um clone que derreteu ao meu lado.
- Decepcionado?
Vou pegá-la.

Expressão perigosa. Conter-se para não cometer uma loucura, um suicídio, ao encontrá-la. Decepcionado.

- Desculpe interromper seus pensamentos, no mínimo cheios de pecado, mas o senhor precisa voltar para analisar as novas amostras e enviá-las ao Comissário Gordon.
- Correto, Alfred. O que há na minha agenda para amanhã à noite?

Outra festa. Mais uma oferecida pelas Empresas Wayne. Não há desculpas para faltar. Muitos convidados devem estar receosos em comparecer, mas o Comissário agiu bem. Anunciou para a população quem estava descobrindo um possível antídoto. Felizmente vai haver o encontro tão esperado. Felizmente?

- Linda festa, Bruce. A decoração está excepcional.
- Obrigado, Lara. Está se divertindo?
- Muito. Espero muito mais para essa noite…
- Bruce Wayne! Esbanjando dinheiro como sempre!
- Frank “king” Moore. Como está?

Pessoas arrogantes e fúteis. Um dos motivos para não comparecer a esse tipo de cerimônia. Interesseiros. Ser Batman é uma vantagem. Uma desculpa para não perder noites intensas, correndo perigo com esses convidados.

- Alfred, cuidados especiais com o champanhe?
- Sim, senhor. Escolhi a dedo quem serve a bebida.
- Em um daqueles seus processos?
- Certamente…
- Procure se divertir, hoje é sua folga.
- Como o senhor, ao entrar para essa vida já estava preparado para esse tipo de situação. Vou observar tudo.

Um grande homem. Fiel, atencioso, preocupado. O que aconteceria sem a presença dele? Nada. Alfred é o apoio, a base. Sem ele não haveria forças para continuar lutando, tentando melhorar o mundo.

- Senhor Bruce, tem uma moça passando mal.
- Não! Lara! Alfred, chame uma ambulância, o Comissário e bloqueie todas as saídas. Ela deve estar aqui. Eu vou achá-la.

Nunca se deve beber em serviço. Isso é regra. Ainda mais quando se é o anfitrião. Dá para ver duas mulheres andando preocupadas, em direção à saída, enquanto outros passam mal.

- Senhor Bruce, está me ouvindo?
- Sim, Alfred. Achei as mulheres. Hera deve estar por perto. Ao meu comando, apague as luzes por dez segundos.
- Encontro o senhor na batcaverna.
- Apague as luzes, Alfred.

Quando se está na própria casa, sabe-se onde fica cada móvel, objeto. Uma vantagem. Quando se segue duas pessoas, sabe-se o que fazer. Uma, você amarra e deixa num local visível para as autoridades. A outra, você, propositalmente, deixa fugir. E a segue para encontrar quem quer.

- Como me seguiu?
- Leve-me até Hera venenosa.
- Nunca!

Gás lacrimejante. Geralmente usado para dissipar grandes multidões. Não foi uma bela escolha. Rápida proteção. A resposta é dada com uma bomba de luz. É fácil notar que está cega. Ao menos nesses poucos minutos. Amarrá-la é o certo. O esconderijo de Hera. Previsível.

-
Alfred, como estão os convidados?
- Consegui um antídoto provisório usando os resultados dos testes das nove amostras, senhor.
- Encontrei ela.
- Tome cuidado, senhor. Mas seja rápido, não sei quanto tempo de vida eles ainda têm. Está no parque?

Uma plantação de orquídeas selvagem num lugar afastado do centro de Gotham. Dá para ver que tem alguém na estufa principal. Uma, duas pessoas, no máximo. Ela ama as flores. Não haveria outro lugar mais escondido. O parque já não é tão discreto; o primeiro lugar onde a procuraria. Não quis ser encontrada e muito menos ficar longe do que tanto protege.

- Onde será que aquelas idiotas estão? Já deveriam ter voltado. Esse novo clone está melhor que o primeiro…

Tom de voz meloso. Não ouça.

- Se fossem homens os contratados, já estariam de volta. É, mas também, mortos.

Ignore a risada dela.

- Acho que suas amigas estão com problemas, Hera Venenosa.
- Batman!! Você como sempre querendo atrapalhar meus planos. Por quê não fazemos algo diferente hoje?

Ela não lhe toca o peito com os dedos. Ela não brinca com o símbolo estampado.

- Acabou, Hera. Dê-me o antídoto.

Será que valeu a pena ter retirado aqueles dedos macios?

- Acabou para você, Batman. Não vou deixar que interfira nos meus planos. Conheça o clone dois. E esse sabe brigar…

Mesmo se tratando de uma cópia, é difícil desferir golpes quando os pensamentos estão longe. Outro lugar, outros atos.

- Isso é excitante! Estou lutando com Batman!

Não preste atenção. Não a acompanhe com os olhos, seguindo-a, vendo-a sentar. É normal esse desejo. Apenas o seu cheiro é alucinante. Ela está sorrindo. Não olhe àquela boca.

- Por que não me enfrenta no lugar dessa aberração?
- Se eu for, você sabe o que faremos. Mas tenho que ir. Divirta-se com minha sósia.
- Eu quero os antídotos.
Venha pegar.

Não provoque. Um homem atordoado não é responsável pelos atos. Concentre-se.

- Tchauzinho, Batman.
- Não vou deixar que escape!
- O que…? Não!

Arremessar o clone nos aparelhos é a única saída. Quem sabe a explosão…

- Você causou um incêndio. Minhas plantas queimam!

Não apenas as plantas queimam...

- Vai pagar caro!

Ela está correndo. E anuncia um beijo. Nunca diga ao seu oponente o que vai fazer.

- Morra, Batman!

Fina dor. Ela injetou algo. Não houve o – desejado – beijo. Ela está nua no inferno. Ao meu lado. Tudo é irreal.

- Não quer o antídoto? Te dei mais um motivo para conseguí-lo.

O braço esquerdo não move. O cheiro do pecado está perdendo para a fumaça. Raro momento de lucidez. Pegue-a.

- A cura!
- Como?
- Muitos já morreram, Hera. Isso não pode continuar.
- Mas vai! Enquanto esses ricos se preocupam apenas com luxo, gastando fortunas com futilidades, as plantas estão morrendo! Eu me preocupo com o futuro do planeta e me taxam de louca?

O problema é como quer resolver as coisas.

- O fogo está aumentando. Passe os antídotos!
- NUNCA!

Foi necessário. Não há como não notar a forma como está deitada, desacordada. Mais loucuras. Procure agir com a consciência. Não se aproveite. Tudo indica a morte. A mulher. O local. Reúna forças e a carregue. Antes, enrole-a com a capa. Cuide dela. Os perigosos lábios estão muito próximos. A tentação é grande. O calor das chamas e a fumaça. Desperte.

- Como estão Lara e os outros?
- Graças ao senhor, fora de perigo.
- Hera criou um veneno e alterou as moléculas de cada um. Como uma gripe, Alfred, que nunca é igual à outra. Mas agora ela está detida.
- Não é outro clone?
- Não.
- Quanta convicção… esse olhar vago…

Não há como esquecer ela. Um toque… Como pode existir uma mulher que faça qualquer homem perder a cabeça, e se tornar objeto, aceitando a morte para ter o prazer dela? Ninguém está livre depois de olhar aquela mulher.

- Um magnífico plano dela, se me permite.
- Por que esses lunáticos não usam a inteligência para fazer o bem?
- Assim, o senhor perderia o cargo de protetor e defensor, senhor Bruce.

Shakira LOCA em Barça!

Postado por Cadena Reef

A cantora colombiana Shakira lançou o clipe de seu novo single, "Loca". A música faz parte do disco "Sale El Sol", com lançamento marcado para o dia 15 de outubro (saiu temt empo já, mwhahah). O CD resgata a musicalidade latina de Shakira e também terá uma versão em inglês, chamada "The Sun Comes Out".

O clipe de "Loca" foi filmado em Barcelona, na Espanha, durante o mês de agosto deste ano. As filmagens do videoclipe causaram uma leve controvérsia na Espanha, já que a cantora, mesmo sem permissão da prefeitura, dançou em uma fonte e andou de motocicleta sem capacete.

"Loca" é uma interpretação de Shakira para a canção "Loca Con Su Tiguere", do dominicano El Cata, que participa do single em espanhol da cantora.

Finalmente ela se covnenceu de que sua melhor fase foi quando honrava sua latinidade. Aquele show MTV Unplugged dela foi o mlehor dela. Mané deixar de cantar em espanhol pra tentar ser diva pop, minha filha!!


Confira abaixo o vídeo da versão em inglês de "Loca", com a participação de Dizzee Rascal.
 


Loca lyrics

Informações retiradas daqui.

Nascido em 7 de maio. Taurino com ascendência em Escorpião e lua em Aquário. Oxalá é meu pai, e Santo Antônio me leva. Baiano com sangue cubano. Devoto [e pirata] do Caribe. Jornalista, roteirista, escritor e boxeador. A música latina me fascina e a música eletrônica me corrompe. Vivo apaixonado e, sem dúvidas, sou apaixonante. Não troco nada por uma cerveja num boteco com meus amigos nem outra bebida com aquela que vou considerar a mulher da minha vida. Tenho três tatuagens - quero mais - e não resisto a mulher usando rabo-de-cavalo, nem a minha sobrinha/afilhada dizendo: Didi, venha cá!